Deixei-me perder no olhar dele. Labaredas dançavam na minha garganta, o meu sangue cantava pela proximidade dele. Tentei desesperadamente esconder tudo isso do meu olhar, tentei perceber o que passava no dele. Ele procurava algo, ele tentava tão vorazmente ler-me. Senti as mãos dele agarrarem cada lado da minha cintura e ele ergueu-se, sentando-se e fazendo-me sentar em cima dele sem tirar os olhos dos meus. Vi-o aproximar-se cautelosamente do meu rosto enquanto uma mão saía da minha cintura e me afagava o cabelo. As minhas mãos ainda no peito dele não o afastavam, deixando a distância entre nós encurtar-se. Senti-o soltar um leve suspiro e percebi que ele encontrara o que procurava, percebi o que lhe dera. Se o meu corpo sussurrava, os meus olhos gritavam que o queriam. Fechando a distância entre nós, os lábios dele roçaram nos meus levemente. Ele tentava ver até onde o deixava ir, e eu percebi que fazia tudo o que ele quisesse. A minha pele queimava onde ele tocava ao deslizar nas minhas costas, e o coração dele disparou quando deixei a minha língua tocar timidamente na dele.

18 de outubro de 2012 @ 14:45 / 3 thoughts


Quero percorrer a curva da tua orelha, lamber as histórias gravadas nas ruas da tua pele. Quero queimar-me sem medo no Sol do teu corpo e mergulhar no oceano do teu sorriso. Quero que derrubes os pilares que me sustentam a alma, sem medos, mas que me deixes ser o teu oásis. Quero ser a costa para o teu coração naufragado, e o abrigo para a tua alma desalojada. Quero evaporar-me para os céus a cada toque teu, e embrulhar a minha alma na tua. Quero afagar o teu rosto, deslizar os dedos pelo teu pescoço, pousar a palma no teu peito e ser a canção que te embala pela noite dentro.
Mas depois ouço a chuva bater lá fora e sei que bem nos recônditos do meu ser, o que eu quero mesmo não é ser poeta. É ser poema.

10 de outubro de 2012 @ 19:10 / 2 thoughts


Sinto a frieza da tua pele ao meu toque. Sinto o vazio nos teus olhos à minha chegada. O meu desejo de te ter, de te guardar em mim e para mim, grita mais alto do que as espadas que se erguem em minha defesa. E eu ignoro os avisos e dou-te suspiros, iludo os meus próprios sentidos e escolho ser tua. O meu coração quebra-se e eu sou tua. As paredes da minha alma racham e eu sou tua. Estou de joelhos na noite escura, com lágrimas salgadas a acariciar-me a face e eu sou tua. Oh meu amor, eu bato no fundo, mas prefiro morrer no gelo dos teus braços do que nos dias mornos sem ti.
Dizem que é possível sentires saudades de sítios que nunca visitaste, de pessoas que nunca conheceste, de coisas que nunca viveste. Olhando-te de frente, morro de saudades do que nunca foi meu.

9 de outubro de 2012 @ 16:52 / 2 thoughts


Pediram-me que falasse de ti. Que te descrevesse, que falasse em medidas em vez de sonhos, em formatos em vez de emoções, em cores em vez de sentidos. Um milhão de palavras desajeitadas estava prestes a brotar dos meus lábios quando hesitei. Porque haveria de te descrever imperfeitamente? Ou deixar de lado tanto do que tu és? Então falei. Ele é como aquele momento delicioso dos domingos de manhã, quando estou semi-adormecida, semi-acordada, com aquele sonho ainda a saltitar na minha mente. Ele é como o perfume que me persegue por quarteirões depois de passar um roseiral. É aquela música que te arrepia a pele, e muitas vezes os próprios ossos. Ele é aquilo que te mata uma fome de algo que não sabias ter. É o alpendre com cheiro a café e paisagens de verão. É a melodia adocicada de risos em uníssono, e se por vezes a felicidade é palpável, é nele que estás a tocar.

@ 00:02 / 2 thoughts